terça-feira, 28 de outubro de 2014

Do ridículo

A gaja, que sempre teve o cabelo moreno, voltou de uma viagem ao Brasil loira. Até aqui tudo bem.

A gaja insiste em dizer a toda a gente que não pintou o cabelo, apenas apanhou muito sol, por isso é que está com o cabelo mais claro (loiro, loiro, loiro quando era castanho, castanho quase preto).

Eu, já farta daquela merda, perguntei o que é ela tinha usado para tapar os pêlos do braço porque estes aparentemente não ficaram loiros com o sol.

Hoje apareceu com os pêlos dos braços loiros. Eu juro!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No meu tempo

No meu tempo brinquei às bonecas e às cozinhas.
No meu tempo brinquei aos chás, com bonecas e pessoas imaginárias.
No meu tempo brinquei às mães.
No meu tempo brinquei às escondidas e às apanhadas.
No meu tempo brinquei na terra, com roupa velha e às vezes nova.
No meu tempo apanhei fruta, muita vezes antes de estar madura, das árvores.
No meu tempo brinquei aos "mal casados".
No meu tempo brinquei à bola.
No meu tempo brinquei às cabeleireiras, enquanto cortava o meu próprio cabelo a às vezes ào das vizinhas.
No meu tempo brinquei à macaca.
No meu tempo corei no primeiro beijo.
No meu tempo corei com a primeira carta de amor que recebi e que escrevi.

Hoje, já longe do meu tempo, percebi que aquele tempo está longe como perdido. Já não existem as sensações mágicas de crianças e de adolescentes. Já não se sente os cheiros das estações, já não se brinca com a imaginação, já não se sente borboletas no estômago e calor na cara com a chegada do amor, porque não há tempo.

Não há tempo de ser criança, nem adolescente, brinca-se aos grandes com corpos e mentes de pequeninos.

Hoje ouvi de uma criança adolescente, que devia estar a viver naquele meu tempo, hoje ouvi da boca de uma pessoa pequenina assim: 

Claro que ainda sou virgem, toda a gente sabe que os broches não contam. 

E dei por mim a pensar, não é "a juventude que está perdida" é o tempo, o tempo está perdido, aquele tempo, assim como outros, perderam-se. E isso, sem dúvida, entristece.

Um dia

Um dia vou acabar o frasco de amaciador ao mesmo tempo do que o do Champô.
Um dia vou deixar de fumar.
Um dia vou gostar de conversar de manhã.
Um dia vou começar a deitar-me cedo.
Um dia vou deixar de adormecer em filmes.
Um dia perco o medo de aranhas.

Não deixa de ser verdade


sábado, 25 de outubro de 2014

Vai dar certo

Ela: Olha faz um mês que nos inscrevemos ao ginásio.
Eu: É verdade, e andamos tão atinadas. Ainda não faltamos.
Ela: Pois é isso, acho que devíamos comemorar.
Eu (já a rir): Tens alguma sugestão?
Ela: Sim vamos jantar. Pizza. Depois para sobremesa um crepe com chocolate quente, gelado e chantilly.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Querido Eric

Ontem, estava eu na minha vidinha muito agitada e importante, quando recebo um telefonema de número que não conhecia. Atendo e oiço do lado de lá, alguém a falar um português rudimentar, a separar as silabas todas e com uma pronuncia esforçada. Constatava-se facilmente que o português não era a sua língua materna e que devia ser algo que tinha aprendido há relativamente pouco tempo.

Ora que passou o seguinte:

Eric: Boa noite eu sou o Eric blá blá e estou a ligar por causa de uma sondagem de Blá Blá.
Eu: Peço desculpa mas não tenho tempo para isso.
Eric (claramente afilto): Ah, mas não tem tempo? Posso ligar mais tarde, ou noutro dia ou quando quiser?

Começou-me a pesar a consciência. O Eric tinha aprendido português, estava a esforçar-se por falar numa língua que não lhe pertence, estava com a ingrata tarefa de fazer inquéritos (as pessoas nunca têm paciência para responder a inquéritos). Resolvo ceder.

Eu: Pronto, faça lá as perguntas do inquérito então.
Eric: Para si, blá blá (nem me lembro bem).

Eu respondo. Eric pede-me para repetir e remata com: "Desculpa, mas o seu português é muito estranho e não se consegue perceber"

Eu: Eric, só sei falar português e inglês. Vamos tentar em inglês: BYE BYE ERIC.

E foi assim que acabou o telefonema. Tudo bem que a pronuncia que me caracteriza pode ser de difícil compreensão, para as pessoas com um metabolismo cerebral mais lento, mas porra ainda vou ouvir essa merda de gajo que nem sabe falar português?!

Rescaldo da aula de Zumba

Envergonhada, confesso, que ando a cantar desde da última aula (nem sempre mentalmente): Bota mellllllll.

Pronto, é só isso.