No meu tempo brinquei às bonecas e às cozinhas.
No meu tempo brinquei aos chás, com bonecas e pessoas imaginárias.
No meu tempo brinquei às mães.
No meu tempo brinquei às escondidas e às apanhadas.
No meu tempo brinquei na terra, com roupa velha e às vezes nova.
No meu tempo apanhei fruta, muita vezes antes de estar madura, das árvores.
No meu tempo brinquei aos "mal casados".
No meu tempo brinquei à bola.
No meu tempo brinquei às cabeleireiras, enquanto cortava o meu próprio cabelo a às vezes ào das vizinhas.
No meu tempo brinquei à macaca.
No meu tempo corei no primeiro beijo.
No meu tempo corei com a primeira carta de amor que recebi e que escrevi.
Hoje, já longe do meu tempo, percebi que aquele tempo está longe como perdido. Já não existem as sensações mágicas de crianças e de adolescentes. Já não se sente os cheiros das estações, já não se brinca com a imaginação, já não se sente borboletas no estômago e calor na cara com a chegada do amor, porque não há tempo.
Não há tempo de ser criança, nem adolescente, brinca-se aos grandes com corpos e mentes de pequeninos.
Hoje ouvi de uma criança adolescente, que devia estar a viver naquele meu tempo, hoje ouvi da boca de uma pessoa pequenina assim:
Claro que ainda sou virgem, toda a gente sabe que os broches não contam.
E dei por mim a pensar, não é "a juventude que está perdida" é o tempo, o tempo está perdido, aquele tempo, assim como outros, perderam-se. E isso, sem dúvida, entristece.





