Vivemos a olhar para baixo, mirar o espelho e o sacana do extracto bancário.
Não temos dinheiro para a casa que queríamos, ou para o sofá que andamos a namorar. Lamentamos a ausência de loui vuitton no roupeiro. Choramos um carro melhor e a viagem com que sonhamos e teima em não chegar.
Criticamos o governo, os professores, o árbitro, o chefe, a administração. Queremos mudar tudo, quando há coisas tão simples de mudar. Queremos merdices, quando há quem queira apenas a oportunidade de viver.
A Bia ainda nem tem 4 anos e está a lutar pela sua vida. A Bia ainda não foi comprar material escolar pela primeira vez, escolher a mochila nova para levar para a sala dos grandes. Ainda não deu o seu primeiro beijo, ainda não jogou aos "mal casados", ainda não se apaixonou, ainda não sentiu que era dona do mundo, ainda não saboreou o que a vida tem reservado para ela. A Bia, que devia estar apenas a brincar com bonecas, está a lutar pela vida.
A Bia tem Leucemia, e como tantas outras crianças (e adultos), aguarda um dador compatível. E como ser dador de medula? É tão simples como dar sangue. Salvar uma vida é tão simples como dar sangue.
E eu pergunto-me: E que tal parar de lamentar e agir? E que ajudar alguém a ter uma vida tão feliz que a sua maior preocupação seja a cor do verniz que está na moda? A Bia, a Bia devia estar apenas a escolher vestidos para as Barbies, não a passar dias no IPO a fazer quimioterapia.









