sábado, 7 de julho de 2012

oh mas que porra

Solicito, do fundo do coração, que façam o obséquio de não usar leggings com nada que não usassem com collants. É que hoje, tive uma visão do cu completamente desnecessária.

Tenho a córnea ferida, é o que é.

A evolução senhores


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Aiii filha

Um dia vou compreender porque raio começo a sussurrar cada vez alguém fala muito baixinho comigo ao telefone. Eles não podem falar alto e eu sofro por simpatia?

Por vezes fico assim, extremamente desiludida com a minha estupidez momentânea. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fora do meu tempo

Os telemóveis causam-me comichão, pronto já disse. Irrita-me o facto de as pessoas acharem que, por ter um dispositivo que me permitem estar sempre contactável, sou obrigada a estar sempre contactável. Parece que até meteram nos seus cérebros de amendoins que quando não atendo uma chamada tenho de justificar o porquê:

- Não me atendeste o telefone ontem porquê?
- Só me estás a ligar agora? Eu liguei-te há uma hora. Porque é que não atendeste?

Dou uma, de duas respostas possíveis (ambas verdadeiras):

1) Não ouvi o telemóvel (Porque está quase sempre sem som e porque não me apetece estar a olhar para ele);
2) Porque não me apeteceu. (Simples, mas estranhamente mal recebido pelas pessoas)

A parte de ser alvo de olhares reprovados quando estou a falar com alguém, o meu telemóvel toca (das poucas vezes que está com som), e eu para além de não atender o dito cujo ainda o coloco no silêncio, já não me incomoda. Não tenho a culpa dessas almas não compreenderem que, falta de educação é calares a pessoa com quem estás a falar pessoalmente, para atender um telefonema ou mandar uma mensagem (isso de mandar mensagem dá outroooo post)

E o pior, o que me faz mesmo ter pequenos ataques epilépticos, é quando chego ao telemóvel e tenho 10 chamadas não atendidas da mesma pessoa. Depois, processa-se o seguinte telefonema:

- Olá!!
- Alguém a morreu?
- Oh claro que não.
- Alguém está no hospital?
- Oh mulher não.
- Então ligaste-me 10 vezes seguidas porquê?
- Oh não me atendias o telefone e queria saber Blá Blá (que é como quem diz nada de jeito).
- Então volta-me a ligar apenas quando alguém estiver a morrer ou no hospital.

Senhores, é assim tão difícil perceber que quando uma pessoa não te atende à primeira, a não ser que estejas em pânico, não faz qualquer sentido ligar mais vezes? A pessoa não atendeu porque não está ao pé do telemóvel, não quis, não ouviu, pfffff who cares? Devolverá a chamada mal puder (ou no meu caso, algures no próximo ano).

Sei bem o jeito que dá ter um dispositivo móvel que, engana-se quem achar o contrário, eu dou bastante uso (quando quero/preciso). Gosto apenas de me lembrar que, as pessoas eram amigas antes de estarem sempre contactáveis, namoravam sem sms a cada 5 minutos, quando sentiam saudades procuravam em vez de lamentarem a ausência de resposta a uma sms que dizia que iam cagar.

Caguem calados, porra.

Este sim é um post para encher chouriços


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pergunto-me

Para fazer parte dos tempos modernos, tenho de tirar fotografias que se assemelham às de antigamente? Têm forçosamente de parecer tiradas com uma máquina de fraca qualidade. É isso, né?

Porque o pouco faz muito - "Estamos de Esperanças"

Porque de quando a quando fala-se a sério.
Porque há histórias que nos tocam.
Porque, às vezes, podemos mesmo ajudar e sabemos como.
Porque a Pólo Norte sabe que quanto mais pessoas souberem da Bia, mais possibilidades têm.

Aqui Vai:

" "Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente.
 
"Também tens um mano na barriga?"- insistia. Pego-a ao colo para se sentar aos pés da cama, leve que nem uma pluma. "Cuidado com o meu cateter!". A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de quimioterapia da filha.
 
"Tens um Bobi?"- fita-me, a pequena, de olhos pregados no suporte com rodas que me eleva o soro. E a mãe sorri, gasta e cansada, velha no pico dos seus 26 anos, a aguardar um milagre que são dois, agora. O bebé só tem um rim mas não lhe importa. A doença da filha ensinou-a a racionalizar a realidade. "Vive-se só com um rim, eu quero é que ele nasça bem, mesmo que não seja compatível,. Quero- os aos dois, bem! Percebe-me, não é?" Percebo tão bem.
 
E a menina canta- me aos pés. Elevo-a no elevador da cama, fica alta no cimo do colchão elevado. "Vou tocar no sol!"- e não parece doente, enquanto escorrega pelas minhas pernas, se ri às gargalhadas e folheia um livro que me ofereceu uma leitora deste blog.
 
A mãe a insistir que me deixe sossegada, sorriso exausto. Está desempregada, " ninguém dá trabalho a uma mulher que tem que faltar uma semana por mês para acompanhar a filha na quimioterapia". E, agora, internada. O marido teve que meter baixa para a substituir- "o dinheiro da baixa não vem logo no mês em que gozamos a baixa, este mês nao sei como irá ser". A filha, tagarela, dá gargalhadas e, por um momento, o sorriso abre-se, alheio aos problemas. Acaricia a barriga, como que a regar o crescimento do bebé que aí vem.
 
Falamos dos bebés que esperamos. Chega mámen para a visita, senta a menina ao colo, faz-lhe desenhos a pedido. A mãe elogia o jeito dele para desenhar. Mostro- lhe a fotografia da parede do quarto da Ana, pintada por ele. A menina pergunta se ele lhe pode desenhar uma Kitty na parede. Sorrimos os dois, cúmplices. Hoje toleramos a Kitty. Sim, irá pintá-lá, logo que a mãe regresse a casa. A menina salta de alegria.
 
Chega o jantar, a mãe e a menina recolhem ao seu quarto, não sem antes a pequena insistir: "Tens um mano na barriga?".
Lembro- me das discussões que temos tido acerca da preservação de células estaminais. Banco Público ou empresa privada? Se colocarmos no Banco Publico e aparecer alguém que precise, a nossa filha fica sem as suas células disponíveis. No Privado as células serão sempre guardadas para ela.
E a menina ali ao lado, a precisar de um transplante de medula. Não pode haver egoísmo na humanidade. Nem umbiguismo. Se a nossa filha fosse compatível, não hesitaríamos um segundo, sabemo-lo com o olhar, as palavras não são precisas.
E, finalmente, respondo "Sim, tenho uma (m)Ana na barriga!". Porque todos os bebés deveriam ser irmãos da menina.
A minha sê-lo-á."
 
Podem acompanhar os desenvolvimentos Aqui
 
Por vezes, os pequenos gestos mudam vidas.