quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pergunto-me

Para fazer parte dos tempos modernos, tenho de tirar fotografias que se assemelham às de antigamente? Têm forçosamente de parecer tiradas com uma máquina de fraca qualidade. É isso, né?

Porque o pouco faz muito - "Estamos de Esperanças"

Porque de quando a quando fala-se a sério.
Porque há histórias que nos tocam.
Porque, às vezes, podemos mesmo ajudar e sabemos como.
Porque a Pólo Norte sabe que quanto mais pessoas souberem da Bia, mais possibilidades têm.

Aqui Vai:

" "Tens um mano na tua barriga?" - entrou de rompante pelo meu quarto. A mãe, internada no quarto ao lado, tentou demove-la. " Não incomodes a senhora! Anda cá!". Mas ela continuava a olhar para mim, de pé, à beira da minha cama de hospital. Olhos azuis, cabelo louro, 4 anos de gente.
 
"Também tens um mano na barriga?"- insistia. Pego-a ao colo para se sentar aos pés da cama, leve que nem uma pluma. "Cuidado com o meu cateter!". A mãe, pálida e com ar gasto, grávida do mesmo tempo gestacional que eu, a contar-me da leucemia da filha, dos tratamentos de quimioterapia, da gravidez que pode ser uma esperança de vida, de mais vida ainda, o verdadeiro milagre da vida, para a filha que já vive. Das possibilidades de compatibilidade do novo bebé, que entretanto ganha pouco peso no útero, fruto do sistema nervoso da mãe que, internada, não acompanha pela primeira vez, em dois anos e meio, o ciclo de quimioterapia da filha.
 
"Tens um Bobi?"- fita-me, a pequena, de olhos pregados no suporte com rodas que me eleva o soro. E a mãe sorri, gasta e cansada, velha no pico dos seus 26 anos, a aguardar um milagre que são dois, agora. O bebé só tem um rim mas não lhe importa. A doença da filha ensinou-a a racionalizar a realidade. "Vive-se só com um rim, eu quero é que ele nasça bem, mesmo que não seja compatível,. Quero- os aos dois, bem! Percebe-me, não é?" Percebo tão bem.
 
E a menina canta- me aos pés. Elevo-a no elevador da cama, fica alta no cimo do colchão elevado. "Vou tocar no sol!"- e não parece doente, enquanto escorrega pelas minhas pernas, se ri às gargalhadas e folheia um livro que me ofereceu uma leitora deste blog.
 
A mãe a insistir que me deixe sossegada, sorriso exausto. Está desempregada, " ninguém dá trabalho a uma mulher que tem que faltar uma semana por mês para acompanhar a filha na quimioterapia". E, agora, internada. O marido teve que meter baixa para a substituir- "o dinheiro da baixa não vem logo no mês em que gozamos a baixa, este mês nao sei como irá ser". A filha, tagarela, dá gargalhadas e, por um momento, o sorriso abre-se, alheio aos problemas. Acaricia a barriga, como que a regar o crescimento do bebé que aí vem.
 
Falamos dos bebés que esperamos. Chega mámen para a visita, senta a menina ao colo, faz-lhe desenhos a pedido. A mãe elogia o jeito dele para desenhar. Mostro- lhe a fotografia da parede do quarto da Ana, pintada por ele. A menina pergunta se ele lhe pode desenhar uma Kitty na parede. Sorrimos os dois, cúmplices. Hoje toleramos a Kitty. Sim, irá pintá-lá, logo que a mãe regresse a casa. A menina salta de alegria.
 
Chega o jantar, a mãe e a menina recolhem ao seu quarto, não sem antes a pequena insistir: "Tens um mano na barriga?".
Lembro- me das discussões que temos tido acerca da preservação de células estaminais. Banco Público ou empresa privada? Se colocarmos no Banco Publico e aparecer alguém que precise, a nossa filha fica sem as suas células disponíveis. No Privado as células serão sempre guardadas para ela.
E a menina ali ao lado, a precisar de um transplante de medula. Não pode haver egoísmo na humanidade. Nem umbiguismo. Se a nossa filha fosse compatível, não hesitaríamos um segundo, sabemo-lo com o olhar, as palavras não são precisas.
E, finalmente, respondo "Sim, tenho uma (m)Ana na barriga!". Porque todos os bebés deveriam ser irmãos da menina.
A minha sê-lo-á."
 
Podem acompanhar os desenvolvimentos Aqui
 
Por vezes, os pequenos gestos mudam vidas.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A sério?!

"A Inspecção-Geral de Finanças identificou dirigentes de topo que escaparam aos cortes salariais, atribuição ilegal de prémios e problemas nos ajustes directos." Aqui

Nunca, nunca pensei que isso se passasse em Portugal.
Nunca, nunca pensei que devia haver milhares de pessoas a mamar em Portugal.

E agora acho que vai ficar tudo resolvido, vão deixar de mamar... Vai correr tudo bem.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Milagre!

Acordei bem disposta... acordei verdadeiramente bem disposta. Não sei se foi do facto de acordar e ver sol, se foi de ter dormido bem ou de ter lavado acidentalmente o cabelo com gel de banho. Mas fica aqui registado que acordei mesmoooo bem disposta (e que lavar o cabelo com gel de banho não é grande ideia).

domingo, 1 de julho de 2012

Cala a boca Gasper

Desde que me lembro de existir, lembro-me de ser conhecida por falar de mais. Se tenho uma opinião partilho, considero-as sempre pertinentes, e falta-me um filtro entre o pensamento e a boca.

Ontem na conversa com uns amigos, falava-se no namorico de adolescência do L. com a M. A história amorosa deles durou muito pouco, e o L. estava a justificar que a relação falhou devida a tenra idade dos envolvidos. Claro que eu achei que a minha opinião sobre esse assunto era importante demais para ficar só para mim e disse:

A relação falhou porque a miúda não tem, e nunca teve, nada na cabeça. É muito bonita, tem mamas gigantes, mas é burra que dói.

Faz-se silêncio da mesa. Sinto um olhar reprovador vindo do meu lado direito seguido de:

Tens noção que estás a falar da minha prima? A MINHA PRIMA.

...

Eu sabia que eram primos, mas nem me lembrei.
Penso, poder afirmar que não terei amigos na velhice.

A parte que mais me desiludiu dessa história, o que me fez ficar mesmooooo chateada comigo, foi a minha reacção a esta situação embaraçosa. Comecei a cantar "Ups a did it again". Foda-se e toda a gente sabe que odeio a Britney.

Aii vida difícil

Gasper onde jantaste ontem? Perguntam vocês.




As fotografias foram retiradas da Internet porque aqui a Anta esqueceu-se da máquina fotográfica.

sábado, 30 de junho de 2012

O jeitinho é tanto

Pintei as unhas de cor-de-rosa. 5 min. depois apercebi-me que tinha a cara pintada de cor-de-rosa. Algo que me diz que ser manicure não é a minha vocação.

Vou só ali à praia num instantinho afogar a minhas a mágoas.