E de repente ficou imóvel, como se tivesse sido invadida por toda a inércia existente no universo, por momentos ficou sem se lembrar como respirar. Sentiu o gelo a percorrer-lhe o corpo, e algo a abafar-lhe a voz. Já tinha dito o fatídico “temos que falar”, tinha de falar, tinha de explicar que às vezes o pouco dói mais que o nada. Tinha de cortar com o que o insuficiente que a sufocava, mas não queria.
Fumou um cigarro enquanto avaliava as suas possibilidades, sabia o que tinha a fazer, o que não sabia era como fazê-lo. Apercebeu-se que o frio que lhe invadia a alma era a antecipação do “nunca mais”, o sabor amargo do fim. Como é que podia saber se o pior era dizer sim ou não?
Levantou-se e disse adeus. Caminhou sem olhar para trás, com receio de perder a pouca força que ainda tinha para andar.





